Mercado de locação no Brasil: dados que afetam quem tem imóvel alugado
Inadimplência, reajuste, juros e rentabilidade da locação: os números que definem o resultado real de quem vive de aluguel, com fonte e data.
Resposta rápida
O resultado de quem tem imóvel alugado depende de quatro variáveis de mercado: a inadimplência locatícia, que ficou em 3,18% em abril de 2026 segundo a Superlógica; o índice de reajuste do contrato, IGP-M ou IPCA; a Selic, que define o custo do crédito e o retorno das alternativas; e a rentabilidade do aluguel frente ao valor do imóvel.
Quem tem imóvel alugado vive de uma renda que parece imune a ciclo econômico, mas não é. Quatro variáveis de mercado definem o resultado real, e nenhuma delas está sob controle do proprietário.
Inadimplência: menor do que o medo
Essa é a preocupação número um de quem hesita em colocar um imóvel para alugar, e os dados mostram um risco menor do que a percepção.
O Índice de Inadimplência Locatícia (IIL) da Superlógica registrou 3,18% em abril de 2026, segunda queda consecutiva e menor patamar em doze meses. O índice acompanha mais de 600 mil contratos de locação e usa um critério rigoroso: só entra como inadimplente quem deixa um boleto vencer por mais de 60 dias.
Pouco mais de três contratos em cada cem, portanto, apresentam problema de verdade. A trajetória também é favorável: a inadimplência subiu ao longo do segundo semestre de 2025, bateu no teto em setembro e vem caindo desde então.
O que não muda é quem carrega o risco. Aqueles 3% recaem inteiramente sobre o proprietário, e ninguém recebe 96,8% do aluguel: ou o inquilino paga, ou não paga. Antecipar os recebíveis é uma das formas de transferir essa exposição para o período cedido.
Reajuste: o fim do reinado do IGP-M
Por décadas o IGP-M da FGV foi o índice padrão de reajuste de aluguel no Brasil. Ele mede preços no atacado, ao consumidor e na construção civil, com peso grande para o atacado, o que o torna muito sensível a câmbio e commodities.
Em 2020 e 2021 essa sensibilidade cobrou o preço. O índice acumulou variação muito acima da inflação ao consumidor, e reajustes de aluguel se tornaram inviáveis na prática. O mercado reagiu em massa, e o IPCA passou a ser cada vez mais adotado nos contratos novos.
Para o proprietário, a leitura é direta: IGP-M protege mais em cenário de choque cambial, IPCA gera menos renegociação. Contrato reajustado por índice que o inquilino não consegue pagar não protege ninguém, e vira vacância.
Juros: a Selic como pano de fundo
A Selic chegou a 14,75% ao ano em 2026, o maior patamar em duas décadas, e influencia o proprietário por dois caminhos.
O primeiro é o custo do crédito. A taxa média de crédito livre para pessoa física fechou fevereiro de 2026 em 62% ao ano segundo o Banco Central, mais de cinco pontos acima de doze meses antes. Qualquer necessidade de dinheiro resolvida pelo banco custa caro nesse ambiente.
O segundo é o custo de oportunidade. Com renda fixa pagando bem, a rentabilidade do aluguel passa a ser comparada com um parâmetro mais exigente, e imóvel com baixa rentabilidade locatícia perde atratividade relativa.
Rentabilidade: o número que quase ninguém calcula
A conta é simples e raramente é feita: aluguel anual dividido pelo valor de mercado do imóvel. Um imóvel de R$ 500 mil alugado por R$ 2.000 rende R$ 24 mil por ano, ou 4,8% ao ano bruto.
De bruto para líquido saem IPTU, condomínio em períodos de vacância, manutenção, taxa de administração e imposto de renda. E o cálculo precisa considerar vacância real: dois meses vazios em doze derrubam a rentabilidade em cerca de 17%.
Isso não faz do imóvel um mau investimento, porque a valorização patrimonial não aparece nessa conta. Mas explica por que liquidez importa tanto para quem tem imóvel: o patrimônio é grande e o fluxo de caixa é pequeno e lento.
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Fontes
- Índice de Inadimplência Locatícia (IIL), Superlógica · 2026-04
- Estatísticas de crédito do Banco Central do Brasil · 2026-02
- Pesquisa de juros do Procon-SP · 2026-04
No glossário
Inadimplência locatícia
Atraso ou não pagamento do aluguel pelo inquilino. No Índice de Inadimplência Locatícia da Superlógica, é considerado inadimplente o contrato cujo boleto vence há mais de 60 dias, e o índice registrou 3,18% em abril de 2026.
IGP-M
Índice Geral de Preços do Mercado, calculado pela Fundação Getulio Vargas. Foi historicamente o padrão de reajuste de contratos de locação no Brasil. Como tem peso grande de preços no atacado, é muito sensível a câmbio e commodities e oscila bem mais que a inflação ao consumidor.
Taxa Selic
Taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central. Serve de referência para o custo de todo o crédito no país e para o retorno das aplicações de renda fixa.
Perguntas frequentes
Qual é a taxa de inadimplência de aluguel no Brasil?
O Índice de Inadimplência Locatícia da Superlógica registrou 3,18% em abril de 2026, o menor patamar em doze meses. O índice acompanha mais de 600 mil contratos e considera inadimplente quem deixa vencer um boleto por mais de 60 dias.
IGP-M ou IPCA: qual índice é melhor para reajustar aluguel?
Depende do que se quer proteger. O IGP-M reflete preços no atacado e câmbio, e por isso oscila muito mais; foi o padrão histórico do mercado. O IPCA acompanha o custo de vida e é bem mais estável, o que reduz atrito com o inquilino. Depois dos picos de IGP-M em 2020 e 2021, boa parte dos contratos novos passou a usar IPCA.
Por que a Selic afeta quem tem imóvel alugado?
Por dois caminhos. Ela define o custo de qualquer crédito que o proprietário venha a tomar, e define o retorno das aplicações de renda fixa, que é o parâmetro contra o qual a rentabilidade do aluguel é comparada. Selic alta encarece o crédito e aumenta a exigência de retorno do imóvel.
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